domingo, 23 de setembro de 2012

Dos ares de Setembro.


156513_10151074458263915_191129388_n_large      Assim que abri os olhos já pude perceber a mudança. O quarto estava mais claro e eu jurei ter visto um feixe de luz entrar pela janela. O sol batia no cobertor azul e deixava a impressão de que as paredes do quarto eram da mesma cor, embora fossem amarelas. Esfreguei os olhos e, novamente, custei a acreditar que fazia sol do lado de fora. Sentei-me à beira da cama, pus os pés quentes no chão frio e senti a necessidade de calçá-los com alguma coisa; tateei com a ponta dos dedos até encontrar meus chinelos. Rastejei vagarosamente até o armário e retirei do cabide um casaco, daqueles que a gente tem a mania de vestir automaticamente, assim que sai da cama, nos dias de inverno. Parei por um instante para sentir o ambiente e percebi que, na verdade, não estava precisando dele. Pus de volta no cabide.
      Me aproximei da janela, cuja claridade era ofuscada pela cortina, e senti uma brisa fina tocar meu rosto; posso dizer, com toda certeza, que não era assim que estava no dia anterior. Cogitei tirar o tecido da frente e deixar que a luz entrasse de vez, além de permitir que eu visse o que estava acontecendo do lado de fora. Mas percebi que podia fazer algo muito melhor.
      Cruzei a porta e desci as escadas. A mesma luz que tentava entrar por entre as cortinas do meu quarto agora esbanjava brilho pelas janelas da sala; deixava o ambiente quente. Descansei a mão na maçaneta da porta e girei-a devagar, como quem tem medo de descobrir o que há do outro lado. A porta abriu e eu não pude impedir que meus olhos se fechassem por instinto com tamanha claridade que atingia eles. Com muita força e custo, abri-os lentamente. Outro impulso inevitável foi o sorriso ao ver o dia lindo que fazia; no lugar da neve, um vasto verde de grama ainda úmida do que havia sobrado de um inverno rigoroso. Flores coloridas de tons vibrantes e poças d'água no meio da rua.
      Entrei de volta para casa e chequei o calendário: 23 de Setembro. Primavera.
      Que o calor aqueça os corações que se deixaram congelar enquanto era frio; que a tal da luz invada janelas e ilumine as mentes que se mantiveram apagadas. Que as flores tragam cor de volta àqueles que deixaram que os tons fossem levados com a chuva; que a brisa fraca acalme o que vento forte tirou do lugar. E por fim, que a primavera interior permaneça mesmo quando o inverno bater à porta novamente.

Beijos e me liga para comemorar a primavera comigo :*

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sábado, 1 de setembro de 2012

As asas de quem já foi.

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      Tantas pessoas já passaram pela minha vida. Chega a ser curioso notar quantas vidas se cruzaram com a nossa em um punhado de anos; punhado este que nem é tanto tempo assim.
      Imagine só quantos olhares já pararam no seu. Quantas pessoas desconhecidas passam por você a cada dia, quantos ombros você já esbarrou sem querer, quantos pés já foram pisados por acidente, quantos "com licença" e "obrigada" você já disse e ouviu. Passando o pente fino, grandes amizades que se desfizeram com o tempo, coleguismos que vieram e não tardaram a ir embora, paixonites temporais e amores até hoje não superados. Quanta gente, não?
      Que nada dura pra sempre e que uma hora as pessoas vão embora porque simplesmente têm que ir, isso todo mundo já sabe. E apesar de entendermos esse fenômeno da vida, ainda nos agarramos à ideia de que todo mundo tem que ser eterno. Se nem nossos pais ficam com a gente pra sempre, como você quer que outro qualquer fique? É tudo questão de tempo.
      Temos a tola mania de atrasar a própria vida. E o pior: cientes disso. É o famoso sofrimento disfarçado; faz bem enquanto é dia, lateja enquanto é noite. E por mais que você não acredite, posso garantir que você sente algum tipo de prazer cultivando esse sentimento.
      Pessoas sempre vão passar por nós, sendo elas boas ou ruins. E me sinto na obrigação de dizer: sempre haverá uma melhor que anterior; uma amizade melhor que a antiga; um amor melhor que o último. Mas às vezes erramos não querendo uma pessoa melhor.
      A maioria das coisas você só vai conseguir enxergar quando o furacão passar e tudo estiver de volta ao seu devido lugar. E então, finalmente, perceber que a gente diz que as pessoas não são substituíveis porque na verdade não queremos que elas sejam.

Beijos e me liga pra contar de quem já passou pela sua vida :*

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